05/09/2008 14:07
VELHICE
Vivemos em uma sociedade na qual a produtividade garante a sobrevivência dos seres humanos.
Para atender à produtividade exigida pelo sistema capitalista, os indivíduos fazem esforços tão intensos que só são possíveis aos jovens. Enquanto isso, os velhos e não-produtivos são encaminhados aos asilos, onde vivem longe de seus familiares mais jovens que, por sua vez, estão ocupados demais e não têm tempo ou condições para cuidar dos mais velhos.
Nesse sentido, os asilos constituem-se redutos de indivíduos que vivem esperando o momento da morte. Este mini-documentário mostra a situação de abandono familiar dos idosos no Lar dos Velhinhos em Viçosa, Minas Gerais.
enviada por Bruno Lima
06/08/2008 21:16
TURISMO
Estive em Pirenópolis, interior de Goiás, em meados de julho. Atraído pela fama do lugar, cheio de cachoeiras, cheio de hippies, etc e tal, fiquei surpreso ao me deparar com uma cidade muito parecida com a minha cidade natal, Carmo do Rio Claro, no sul de Minas Gerais.
Assim como Pirenópolis, a minha cidade também possui menos de 20 mil habitantes, é "bonitinha", localiza-se aos pés de uma grande montanha, tem cachoeiras, doidões e povo hospitaleiro. Mas há uma diferença muito grande, pois Pirenópolis tem estrutura para receber bem um grande número de turistas, e turistas ricos que trazem dinheiro à cidade.
Em Carmo do Rio Claro, há 30 anos dois prefeitos se revezam no poder. Um deles tem caráter mais aberto e, pelo menos, boas intenções de fazer daqui uma cidade efetivamente turística, só que não organiza as medidas efetivas. Além disso, este prefeito não põe ordem na casa, como dizem os meus conterrâneos. Já o outro, consegue colocar ordem na casa, mas não pode nem ouvir falar de turismo, e se preocupa somente em dar estrutura para engordar ainda mais a riqueza da velha oligarquia cafeeira que aqui manda desde os tempos do meu ta-ta-ta-ta-taravô.
Apesar de algumas ações isoladas para atrair turistas, a minha cidade não tem o ânimo de Pirenópolis nem de longe. Na cidadezinha do interior de Goiás parece que todos estão empolgados, inspirados pela idéia do turismo, e fazem de tudo para agradar e arrancar o máximo de dinheiro do turista, que é sabidamente um sujeito muito consumista. E quase todos que lá vão, voltam falando bem do lugar, inclusive eu.
O turismo parece ser uma grande chave para trazer desenvolvimento à Carmo do Rio Claro, melhor mesmo até do que as indústrias, que vários candidatos a prefeito prometem conseguir. Pode ser também a saída para muita gente daqui que somente tem emprego durante quatro meses do ano, que é a duração da colheita do café. E isso porque ainda não inventaram uma máquina eficiente de colher os graõs. Várias cidades em todo mundo dão o exemplo de que é possível viver, e bem, com o dinheiro do turismo.
Quem sabe este ano seja eleito algum prefeito com capacidade de coordenar ações em prol de alavancar o turismo aqui. Portanto, é importante ficar de olho nas eleições e votar consciente. E que Carmo do Rio Claro se torne um dia Pirenópolis ou mesmo, quem sabe, uma Paris de turismo.
Uma das cachoeiras de Pirenópolis
enviada por Bruno Lima
24/05/2008 18:17
ASSASSINEM OS MAMONAS
O que seria dos Mamonas Assassinas se eles estivessem vivos e tocando até hoje? Eu tenho um palpite, certamente, eles estariam lançando o décimo ou décimo primeiro disco, com um ou dois integrantes diferentes da formação original. E, também, certamente, iríamos ouvir comentários do tipo "ih, lá vem aqueles caras de novo, com aquela bobeira".
E digo isso não porque não gosto do som dos caras, pelo contrário, adoro as músicas, as letras, a irreverência e o carisma deles. No entanto, seria difícil para eles manterem o sucesso dentro de um sistema de produção em série, após relâmpago do sucesso que caiu sobre eles.
Esse relâmpago foi tão forte, que, em oito meses da curta carreira, venderam 1 milhão e 800 mil discos, faziam em média 5 shows por semana a um cachê tido como um dos mais altos da época, cerca de 50 mil reais. Passaram por todos os tipos programas de tv e rádio possíveis: Faustão, Gugu (que, por ventura, até hoje reprisa incansavelmente as apresentações no programa na data do aniversário da morte deles), Jô Soares, entre outros.
Mas o que seria deles se não tivesse havido o fatídico acidente de avião no dia 3 de março de 1996? Hoje, mais de doze anos depois, acredito que eles teriam sobrevivido no cenário musical, mas estariam, com certeza, em um circuito muito mais underground e bem longe do mainstream.
Vide, por exemplo, o caso do Casseta e Planeta. Aos que tem um mínimo de noção, os cassetas que são exibidos até hoje pela TV Globo estão ridículos, porém, foram um sucesso - e merecido - nos primeiros anos de produção.
Entretanto, fazer humor é difícil, ainda mais em se tratando de música e em ritmo de produção em série. Ao contrário do sinônimo de brincadeira que eles representaram, hoje seriam, com certeza, alvo de numerosos intelectuais, sobrevivendo à custa de bolsas do governo, que os taxariam de: demônios-da-mídia-eletrônica-a-serviço-da-reprodução-da-alienação-da-sociedade-burguesa. Ufa!
E não seria impossível de se ver campanhas tais como: "Assassinem os Mamonas Assassinas" ou, quem sabe, "Mamonas Assassinas ou Funk: o que é pior?"
Enfim, restariam ainda os fãs, claro, mas em número bem mais reduzido do que na época da explosão das mamonas.
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Agora, após literalmente traçando uma linha entre o que escrevi acima, deixo aqui a minha homenagem aos caras que, ao meu ver, fizeram as músicas mais engraçadas de todos os tempos.
Quando eles estouraram, eu era criança e já gostava muito deles. Depois de muito tempo, passei a gostar mais ainda, porque consegui entender o sentido crítico (alô intelectuais!) das letras deles.
Na música 1406, os caras criticam o consumismo de uma forma genial e engraçada. Veja bem a letra:
Eu queria um apartamento no Guarujá,
Mas o melhor que consegui foi um barraco em Itaquá.
Você não sabe como parte o coração,
Ver seu filhinho chorando querendo ter um avião.
Você não sabe como é frustrante,
Ver sua filhinha chorando por um colar de diamantes.
Você não sabe como eu fico chateado,
Ver meu cachorro babando por um carro importado.
Agora, o prazer de ver a energia e o carisma da banda em show:
enviada por Bruno Lima
19/04/2008 10:49
DOIS LADOS DA INFORMAÇÃO
Acabei de assistir ao documentário Ônibus 174, do diretor José Padilha, o mesmo de Tropa de Elite. Ônibus 174 é uma profunda investigação sobre o sequestro de um ônibus urbano no Rio de Janeiro em 2000. O fato foi coberto intensamente pela mídia e o Brasil praticamente parou para assistir ao trágico episódio, que culminou na morte de uma das reféns do ônibus e, também, na morte do sequestrador por sufocamento dentro da viatura da polícia.
O filme apresenta duas histórias paralelas. Ao mesmo tempo em que reconstitui os fatos do dia do sequestro, mostra a história de vida do sequestrador, que de menino de rua passsa a um violento criminoso.
A partir das histórias contadas, o documentário discute e estuda profundamente o tema da violência nas grandes cidades. Fala sobre a culpa de toda a sociedade, que torna os meninos de rua "invisíveis", empurrando-os à violência na luta pela sobrivência. Enquanto isso, a polícia tem o "dever", aprovado por todos nós, de torná-los invísiveis de vez, ou seja, matando-os, como aconteceu com o sequestrador do Ônibus 174.
Eu que também assisti ao Tropa de Elite, pude perceber a grande habilidade do diretor José Padilha na construção dos dois filmes. Ônibus 174 é a opinião de que a violência não se resolve apenas com mais violência, que, definitivamente, o problema é muito profundo para ser resolvido apenas com medidas repressivas. Já Tropa de Elite, é a visão da polícia, de que o criminoso, literalmente, é um sujeito marginal, pois está à margem da sociedade, e o único destino eficaz para ele é a morte.
Nos dois filmes, Padilha nos expõe com inteligência as fragilidades do sistema de segurança do Brasil. A polícia mal paga e mal preparada, os presídios absolutamente incapazes de recuperar qualquer pessoa, e a insensibilidade com a qual a sociedade trata o assunto.
As duas obras também provam que é possível um certo grau de imparcialidade no cinema e, por que não, no jornalismo. Obviamente, o cineasta e o jornalista tem suas opiniões e formações e, logicamente, essa bagagem influi no conteúdo do trabalho deles. No entanto, como mostra Padilha, é possível apresentar dois lados de um tema, por exemplo a violência, com embasamento e dados confiáveis. E o principal, passar os dois lados, e mesmo assim, sem a pretensão de encerrar o assunto.
enviada por Bruno Lima
11/04/2008 23:01
IMAGEM NÃO É TUDO, NIKE SHOX É TUDO
Sentei-me numa mesa em uma determinada loja de conveniência em um dia qualquer. Confesso que estava seco por uma Coca-Cola, dizem por aí que pode ser mensagem subliminar, acredito mais que seja a natureza do vício. Mas tomar Coca-Cola não tem nada a ver com o assunto que quero tratar, a história faz parte de um todo que me levou à seguinte filosofia de almanaque: Imagem não é tudo, Nike Shox é tudo.
Enquanto estava a bebericar minha doce Coca-Cola, de latinha, percebi que, em mais ou menos meia hora, cinco rapazes e quatro garotas adentraram à loja de conveniência usando tênis Nike Shox. Não haveria nada de extraordinário nisso, se não fosse o fato de que as alparcas da Nike custam, no mínimo, 400 reais, e em alguns casos, beiram os 700 reais.
É bem verdade que, atualmente, os preços de tênis estão salgados, variando numa faixa de preço entre 70 e 150 reais. E caso você não queira desembolsar essa pequena fortuna acabará de chinelo ou então com um calçado descartável. Entretanto o que estará motivando a compra dos Nike Shox com valor tão elevado?
Segundo os apocalípticos (apócrifos, é claro) a culpa é da mídia burguesa, capitalista e neoliberal que insiste em afligir a população, transformando todos em um mero robô que não tem vontade própria. No entanto, após uma rápida pesquisa na minha memória e com alguns amigos, não me lembrei de, ao menos uma vez, ter visto na tv, ou em qualquer outro meio de comunicação exceto internet, alguma propaganda específica para os tênis Nike Shox. Obviamente, a marca Nike é muito forte, estando até mesmo nas roupas dos jogadores da seleção brasileira, o que todos estão cabeludos de saber. E então continuei, o que motiva a compra desses tênis caríssimos?
Aí disse comigo, eu acho... Eu acho que os Nike Shox tornaram-se símbolos de Poder. Aos compristas deve significar quase uma expressão matemática: Nike Shox = Fodão. Imaginei, até mesmo, tratar-se de um objeto destinado à integração, mas não, hoje ninguém quer saber de integrar. Todos querem é Poder, e comprar Nike Shox significa não deixar que os outros (donos de Nike Shox) Possam mais.
E a relação com o Poder está justamente no dinheiro que se deve gastar para comprá-lo. Obviamente, dinheiro diz muita coisa em nossa sociedade. Por outro lado, existe um fato que instiga: Nike Shox são esteticamente feios. Como alguém pode achar belo um tênis que possui molas vermelhas ou azuis nos calcanhares? Essa é mais uma das documentações que provam que o Nike Shox é um mero objeto de Poder.
Interessante mesmo é perceber como esses tênis são falsicados. Os ambulantes que vendem calçados, possuem uma variedade furiosa de modelos Nike Shox. Afinal de contas, quem não pode pagar 400 reais por um tênis também morre de vontade de Poder dizer a todos que tem dinheiro para tal compra, e que também, logicamente, é Fodão.
Que me desculpem os apocalípticos (apócrifos), mas dessa vez a mídia não tem muito a ver com a história. A despeito dela reproduzir esse sistema de Poder, a mídia não nos bombardeia diarimente com propagandas COMPRE NIKE SHOX. A propaganda, de fato, é o preço do calçado e o que isso significa para muita gente. E significa que quem paga mais, Pode mais. E como ninguém quer Poder menos que um alguém qualquer, muita gente acaba comprando o Nike Shox, mesmo que seja o falsificado.
Texto publicado na primeira edição do desInformativo O CORVO.
enviada por Bruno Lima
29/01/2008 13:45
CONVERSA NA RODOVIÁRIA
Há meses atrás, vazou para a internet um vídeo com uma cena de sexo dentro de um elevador de um prédio na cidade de Viçosa, Minas Gerais.
Em pouco tempo, o vídeo tornou-se absolutamente viral, correndo o e-mail de milhares de pessoas em poucos dias. Em Viçosa, durante os dias em que o vídeo circulou com mais intensidade não se falava de outra coisa a não ser do "vídeo do elevador". As conversas de esquina, de mesa de bar, de filas de bancos e de filas de restaurante confirmavam o sucesso do "curta-metragem".
Pensando nessas milhares de conversas que aconteceram, decidi produzir o vídeo CONVERSA NA RODOVIÁRIA, que é justamente uma simulação de um papo de bar. O vídeo expõe o que seria visão de dois homens, com um leve toque de machismo e muita piada.
Enjoy it again!
enviada por Bruno Lima
29/01/2008 13:07
PROGRAMA ANEXO
Olá internécticos!
Estou postando daqui do velho mundo, mais exatamente do sul da França, mais exatamente ainda de uma cidade chamada Aix-en-Provence, tão antiga que até os pombos que existem aqui aos milhares são centenários.
Em breve vou colocar alguns posts com observações minhas sobre esse lugar maravilhoso onde estou. Mas, por ora, estou deixando aqui o programa produzido no final de 2007 por mim e mais alguns amigos.
É um programa jornalístico, que faz um Raio-X da violência na cidade de Viçosa. É dividido em três blocos, cada com mais ou menos seis minutos.
Enjoy it!
BLOCO 1
BLOCO 2
BLOCO 3
enviada por Bruno Lima
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